Alimentação das crianças em escolas municipais de São Paulo: motivo para comemorar

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8 de dezembro de 2017

Alimentação das crianças em escolas municipais de São Paulo: motivo para comemorar

No início de janeiro, João Dória Júnior, prefeito de São Paulo, sancionou o projeto de lei que proíbe a oferta de embutidos na alimentação das escolas municipais. Para famílias e profissionais da saúde, a ação pode ser considerada como um bom motivo para comemorar. No entanto, muitos se perguntam o porquê da medida e até questionam sua abrangência e necessidade. Pensando nisso, elaboramos um roteiro com informações importantes acerca do assunto.

O problema dos embutidos

Foto divulgação Portal R7: Mariuszjbie (CC)

Vale explicar que este termo se refere a preparações como salsicha, linguiça e seus similares. Em geral, são alimentos processados com carnes e aditivos (nesta lista podemos incluir aromatizantes, corantes e conservantes) que contém grandes quantidades de sal e gordura, principalmente a saturada, que apresenta maior risco à saúde.

Quando falamos em crianças a preocupação é ainda maior! Além dos problemas já citados (excesso de sal e gordura saturada), devemos lembrar que esses alimentos são, geralmente, bem aceitos pelas crianças e sua oferta de forma regular contribui negativamente para a formação de hábitos alimentares.

Tratando-se dos excessos, é importante advertir que uma salsicha tipo hot dog de 50 gramas  pode conter mais de 500 mg de sódio, e que as crianças a partir de 4 anos devem consumir, no máximo, 1500 mg por dia. Cita-se  também que o sódio está naturalmente presente em alguns alimentos, principalmente no sal adicionado às preparações. Portanto, o consumo de embutido contribui significativamente para o aumento do consumo de sódio.

O direito de escolha e a proibição nas escolas

Devemos lembrar que a escola é um ambiente educador e por isso deve ser um espaço para promover hábitos saudáveis. Deixar de oferecer embutidos na escola não é interferir no direito de escolha, uma vez que a criança consome outros alimentos fora da escola, e a medida deve ser  vista como incentivadora para diminuição do consumo, considerando que muitos desses alimentos não contribuem para o desenvolvimento da criança.

Ressalta-se que, neste período, as crianças ainda não contam com o discernimento necessário para realizar suas escolhas alimentares e que cabe à família e à escola proporcionar ambientes e refeições adequadas para seu bom desenvolvimento.

Onde está proibida a oferta

A lei abrange escolas da rede municipal de ensino da cidade de São Paulo.  Não há proibição da oferta de embutidos para escolas estaduais e particulares, mas a medida pode incentivar escolas a retirar de seus cardápios salsicha e linguiça, por exemplo. Os benefícios de uma alimentação saudável são constatados em longo prazo.  No que diz respeito à redução do consumo de gordura saturada e sódio, salienta-se que a medida diminui o risco de doenças cardiovasculares na vida adulta.

 

Sobre o assunto, a nutricionista Vivian Zollar, também diretora da Qualy Food, concedeu entrevista ao Portal R7, confira: http://bit.ly/2EJLHbx

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